
Famoso, após 25 roubos
Motorista participa de programa de TV de rede nacional por sucessivos assaltos vividos no trabalho, em Cuiabá
Uma caneta promocional do hotel paulistano Holiday Inn tornou-se, por alguns instantes na tarde da última terça-feira, o centro das atenções no terminal de ônibus do CPA I. Afinal, quem a segurava e mostrava aos colegas era o motorista Geraldo Gomes Pereira, de 41 anos, provando que passou um dia e meio em São Paulo para uma participação em um programa da TV Record como um dos homens mais assaltados do Brasil, revelando a fragilidade da segurança no transporte público em Cuiabá. Tão inusitado quanto desagradável, o motivo da aparição em rede nacional, há uma semana, é o fato de que Geraldo foi assaltado 25 vezes à mão armada em apenas um ano de trabalho como motorista da linha A01 – Jardim Florianópolis/Centro. Ele inicia o expediente às 16h no terminal do CPA I e encerra todo dia às 23h50. À noite, aliás, é quando a maioria dos assaltos acontece e, principalmente, na região entre o residencial Milton Figueiredo até a Fundação Bradesco, na saída de Cuiabá para a Chapada dos Guimarães (a 67 quilômetros). Rodeado por outros motoristas e cobradores, que cogitam a ida do colega mais famoso para o Guiness (o livro dos recordes), Geraldo explica que poderia não ser considerado um dos homens mais assaltados do Brasil, caso decidisse trocar de trajeto há alguns meses, direito concedido pela empresa de ônibus a funcionários que tiverem passado por três assaltos na mesma linha. “Não trabalho para a empresa, trabalho para os passageiros”, sintetiza o motorista, que prefere continuar servindo aos usuários pelos quais já possui simpatia. Coronel Osmar Lino Farias, da Polícia Militar, esclarece que todos os policiais possuem a orientação de realizar abordagens em pontos de ônibus da cidade, caso identifiquem uma situação suspeita como a possibilidade de algum assalto a ônibus, o que ele entende como uma “questão de delinqüência juvenil”. Porém, a PM não tem condições, “nem agora nem no futuro”, de colocar oficiais em todos os ônibus, o que o coronel diz já acontecer – à paisana - em alguns trechos da cidade, como na região dos bairros 1º de Março, Doutor Fábio e Jardim Vitória. “Parceiro, fica esperto”. Assim Geraldo costuma dizer, na suspeita de um novo assalto ao ônibus, para o cobrador que o acompanha, Edson Jesus Freitas. Com 26 anos, Edson já foi assaltado seis vezes em apenas oito meses como cobrador, três apenas na linha Jardim Florianópolis/Centro. Ele explica ao usuário de ônibus que, às vezes, os carros não param nos pontos devido às suspeitas de um assalto iminente, pois alguns rostos e atitudes de assaltantes são conhecidos. Motoristas e cobradores não têm como adotar outras medidas além dessa, que já mostraram não adiantar muito, e esperam maior auxílio para trabalhar e saber, como diz Edson, “se voltam para casa”. Até meados de outubro, a Associação Mato-grossense de Transportadores Urbanos (MTU) havia computado 664 crimes praticados contra funcionários do transporte coletivo na Capital. O número equivale a pelo menos duas ocorrências diárias. Em um dos episódios, o cobrador Benedito dos Santos, de 39 anos, foi vítima de uma tentativa de homicídio depois de ser atingido por um tiro que partiu de um adolescente de apenas 13 anos.
Motorista participa de programa de TV de rede nacional por sucessivos assaltos vividos no trabalho, em Cuiabá
Uma caneta promocional do hotel paulistano Holiday Inn tornou-se, por alguns instantes na tarde da última terça-feira, o centro das atenções no terminal de ônibus do CPA I. Afinal, quem a segurava e mostrava aos colegas era o motorista Geraldo Gomes Pereira, de 41 anos, provando que passou um dia e meio em São Paulo para uma participação em um programa da TV Record como um dos homens mais assaltados do Brasil, revelando a fragilidade da segurança no transporte público em Cuiabá. Tão inusitado quanto desagradável, o motivo da aparição em rede nacional, há uma semana, é o fato de que Geraldo foi assaltado 25 vezes à mão armada em apenas um ano de trabalho como motorista da linha A01 – Jardim Florianópolis/Centro. Ele inicia o expediente às 16h no terminal do CPA I e encerra todo dia às 23h50. À noite, aliás, é quando a maioria dos assaltos acontece e, principalmente, na região entre o residencial Milton Figueiredo até a Fundação Bradesco, na saída de Cuiabá para a Chapada dos Guimarães (a 67 quilômetros). Rodeado por outros motoristas e cobradores, que cogitam a ida do colega mais famoso para o Guiness (o livro dos recordes), Geraldo explica que poderia não ser considerado um dos homens mais assaltados do Brasil, caso decidisse trocar de trajeto há alguns meses, direito concedido pela empresa de ônibus a funcionários que tiverem passado por três assaltos na mesma linha. “Não trabalho para a empresa, trabalho para os passageiros”, sintetiza o motorista, que prefere continuar servindo aos usuários pelos quais já possui simpatia. Coronel Osmar Lino Farias, da Polícia Militar, esclarece que todos os policiais possuem a orientação de realizar abordagens em pontos de ônibus da cidade, caso identifiquem uma situação suspeita como a possibilidade de algum assalto a ônibus, o que ele entende como uma “questão de delinqüência juvenil”. Porém, a PM não tem condições, “nem agora nem no futuro”, de colocar oficiais em todos os ônibus, o que o coronel diz já acontecer – à paisana - em alguns trechos da cidade, como na região dos bairros 1º de Março, Doutor Fábio e Jardim Vitória. “Parceiro, fica esperto”. Assim Geraldo costuma dizer, na suspeita de um novo assalto ao ônibus, para o cobrador que o acompanha, Edson Jesus Freitas. Com 26 anos, Edson já foi assaltado seis vezes em apenas oito meses como cobrador, três apenas na linha Jardim Florianópolis/Centro. Ele explica ao usuário de ônibus que, às vezes, os carros não param nos pontos devido às suspeitas de um assalto iminente, pois alguns rostos e atitudes de assaltantes são conhecidos. Motoristas e cobradores não têm como adotar outras medidas além dessa, que já mostraram não adiantar muito, e esperam maior auxílio para trabalhar e saber, como diz Edson, “se voltam para casa”. Até meados de outubro, a Associação Mato-grossense de Transportadores Urbanos (MTU) havia computado 664 crimes praticados contra funcionários do transporte coletivo na Capital. O número equivale a pelo menos duas ocorrências diárias. Em um dos episódios, o cobrador Benedito dos Santos, de 39 anos, foi vítima de uma tentativa de homicídio depois de ser atingido por um tiro que partiu de um adolescente de apenas 13 anos.
Saturação marca trânsito na avenida do CPA

Congestionamento constante, falta de vagas, estacionamento irregular, ‘engavetamento’ são constância em via que liga ao Centro região de franca expansão
Responsável por ligar o centro da cidade à região em crescimento do Centro Político Administrativo (CPA), a avenida Historiador Rubens de Mendonça é uma das mais importantes para o trânsito de Cuiabá. A demanda é pesada, e quem depende da avenida reclama de dificuldades como a falta de vagas de estacionamento, perigos para o pedestre e os acidentes. Estas são as principais reclamações de quem convive com um dos maiores fluxos de trânsito de Cuiabá. A primeira e principal citada pela população, a escassez de vagas para estacionamento, está mais do que evidente. No trecho de intenso comércio entre o viaduto da avenida Miguel Sutil e o semáforo na frente do Hotel Paiaguás, motoristas e funcionários dos estabelecimentos são unânimes: a avenida está saturada. A história se repete neste trecho de aproximadamente 440 metros, revelando um dos primeiros problemas da via. Como não há vagas suficientes, o motorista que precisa descer em algum estabelecimento pára seu carro na própria pista pelo tempo que bem entende. A chamada fila dupla se forma. Alguns motoristas reclamam e buzinam, mas a situação é recorrente ali. O desfecho também. A alguns metros e numa velocidade regular, um outro veículo trafega desavisado até quando colide com a traseira do carro indevidamente estacionado, gerando o mais típico acidente da região. Humberto Franco, de 61 anos, mostra-se pessimista. Depois que a compra de carros por financiamento ficou tão fácil, ele diz, “não tem jeito”. Os problemas da avenida do CPA nada mais seriam do que o reflexo do aumento absurdo de veículos na Capital. Há seis anos trabalhando no lava-jato de um posto de gasolina na via, Onofre Vieira da Silva, de 43 anos, aponta que há uma verdadeira guerra entre os motoristas para estacionarem até em locais irregulares. Enquanto falava com a reportagem, três veículos foram multados por agentes municipais de trânsito, os conhecidos “amarelinhos”. Os carros estavam estacionados em cima da calçada do posto, área reservada a pedestres. “Os amarelinhos fazem a festa aí”, confirma Paulo Henrique Leão, policial militar que trabalha na região das 7h às 19h. Ele conta que, principalmente nos primeiros dias do mês, o tumulto se estabelece na área próxima à agência do Banco do Brasil. Aí, os motoristas utilizam a pista mais devagar, teoricamente apropriada para o transporte coletivo, para estacionarem e ficarem no banco por horas. ACIDENTES - Os acidentes, então, tornam-se inevitáveis, e geram lentidão. Mesmo que geralmente sejam de baixa gravidade, os “engavetamentos” não deixam de ser uma preocupação e podem se tornar mais perigosos. Por isso, Paulo diz que o problema de estrutura existe, mas também falta educação por parte dos motoristas. Deolino Belatto tem 79 anos e trabalha há 18 como comerciante na avenida. Ele tem toda a autoridade para falar sobre o local e afirma que a imprudência dos motoqueiros é a principal causa dos acidentes ali. Ele relata que muitos deles chegam a passar com seus veículos nas calçadas, comprometendo os pedestres. Marcelo Alves de Jesus, de 30 anos, é motoqueiro e concorda em parte. “É falta de estrutura aliada com falta de educação”, analisa. Ele diz que “demorou” para a Secretaria Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) providenciar pistas exclusivas para as motos e ônibus e que os motoqueiros também se sentem ameaçados pelos carros.
Notícia publicada no Diário de Cuiabá

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