segunda-feira, 6 de maio de 2013


Navio, era. Será um país? 


O artigo “RMS Titanic, de Elton Simões e postado por Ricardo Noblat, em seu blog, recorre a um fato trágico da história da Humanidade para levar o leitor a uma reflexão. Você pode transpor o caso do transatlântico a uma família, a uma unidade de ensino, a um diretor de uma empresa e até a um país. Quem manda é o freguês.

Vamos embarcar no Titanic de Elton Simões, que mora no Canadá, é formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD) e mestre em Resolução de Conflitos (University of Victoria).



Se fosse possível identificar uma causa isolada. Se houvesse um culpado. Se a causa tivesse sido um simples erro humano, falha mecânica, ou um ato de Deus, como gostam os juristas, seria mais uma tragédia. Entraria para a historia como estatística e não como drama.

O naufrágio do RMS Titanic escapa da memória estatística e faz parte da memória coletiva como um drama. Acima de tudo, o naufrágio foi consequência de uma sequência de decisões e premissas equivocadas tomadas antes e durante o naufrágio.

Nele, o iceberg foi apenas um detalhe. Entrou para a história e para a memória coletiva como sinônimo de tragédia que poderia ter sido evitada pela simples ação daqueles que estavam em posição de decisão.

Desastres como este, em geral, acontecem em câmera lenta. Os erros vão se encadeando como consequências de decisões baseadas em conveniências e, quase sempre, tomadas a revelia dos fatos.

De muitas formas, o Titanic é uma metáfora sobre as consequências de transformar questões meramente técnicas em assuntos políticos onde interesses, e não as necessidades, são os critérios para tomada de decisões.

Os erros foram se acumulando. O design privilegiava o luxo as expensas da segurança. A hipótese de naufrágio não foi seriamente considerada. O Titanic, afinal, era grande demais para fracassar.
Ignorou-se o ambiente. Naquela região, icebergs flutuam abundantemente. Entretanto, decidiu-se prosseguir na maior velocidade possível.

Decidiu-se, com em muitos outros casos, ignorar os problemas como se eles fossem desaparecer natural e magicamente. Esquecerem de combinar com os icebergs.

Os indicadores foram ignorados. Quando a colisão já havia acontecido, os interesses falaram mais alto. A decisão foi tentar continuar a jornada sem alertar passageiros ou buscar reparos.

A imagem da empresa dona do navio teve prioridade a realidade da gravidade da situação. Foi o triunfo do interesse sobre a necessidade.

Enquanto a água lentamente tomava conta do navio e condenava todos a bordo a experimentar os horrores do naufrágio, a gravidade da situação não era endereçada. Os passageiros ainda, alegremente, continuavam normalmente suas vidas a bordo com a tranquilidade que somente a ignorância pode garantir.

O naufrágio do Titanic deixou a realidade para ser um mito. Serve de alerta e ilustra as consequências de ignorar sinais negativos quando a conveniência politica (ou econômica) assim dita. Por isso, tudo parece bem até o ponto em que não está bem. Mas ai, normalmente, já é tarde.



sábado, 4 de maio de 2013


A Guerrilha de Eduardo


Refugiar-se na caatinga em lugar de aparecer, com Paulinho da Força, em São Paulo, para todo o Brasil. Percorrer povoados. Ouvir o trinado de Bem-te-vi, distrito do município de Bonito, no Agreste Meridional de Pernambuco, onde Arraes teve 100% dos votos, desmentindo o recifense Nelson Rodrigues para quem toda unanimidade é burra. Não foi a Uberaba, ué? Estavam lá Dilma e Aécio. Eduardo desistiu do Triângulo Mineiro para não compor o trio presidenciável.

Um até logo
 Ao evitar aparecer em atos públicos fora de Pernambuco, o governador começa a intrigar jornais, rádios, TVs e mídias sociais. Eles começam a atentar para o tom conciliador de Eduardo Campos, ao defender a união de todos no combate à inflação e aos efeitos da seca. Uma forma de apoiar Dilma e criticar Aécio. Eduardo está com medo das retaliações? Não quer dizer o que pensa para não ter suas idéias apropriadas pelo PT?

Livro de cabeceira
Estrategista como ele, deve ter como linha de pensamento os ensinamentos do chinês Sun Tzu, autor do livro “A Arte da Guerra”. Recuar não significa fugir. Bater em retirada significa um passo à frente na luta. Que o digam os generais da Antiguidade, portugueses e espanhóis na guerra contra Napoleão, os pernambucanos na expulsão dos holandeses e os vietcongues contra o todo-poderoso Estados Unidos. Povos os mais diferentes recorreram à guerrilha para vencer os inimigos.

Realmente, Sun Tzu forja, em seu livro, a figura de um general cujas qualidades são o segredo, a dissimulação e a surpresa. Para o autor de “A Arte da Guerra”, são cinco fatores que permitem que se preveja qual dos oponentes sairá vencedor:

1 - aquele que sabe quando deve ou não lutar;

2 -aquele que sabe como adotar a arte militar apropriada de acordo com a superioridade ou inferioridade de suas forças frente ao inimigo;

3 - aquele que sabe como manter seus superiores e subordinados unidos de acordo com suas propostas;

4 - aquele que está bem preparado e enfrenta um inimigo desprevenido e

5 - aquele que é um general sábio e capaz, em cujas decisões o soberano não interfere.

terça-feira, 30 de abril de 2013




Ratos e homens

Marcelo Alcoforado


Asqueroso, feio, nocivo, há cerca de dez mil anos o rato faz indesejável companhia ao homem que, mesmo com toda a evolução, não consegue eliminá-lo. Os ratos, os ratos quadrúpedes, por exemplo, têm vasto repertório de truques para se livrar do homem, evitando as armadilhas. Já os bípedes, plenos da certeza da impunidade simplesmente não as temem, embora vez por outra sejam pilhados por elas.


Sabe você o que os ratos mais velhos costumam fazer? Deixam que os ratos mais novos, mais impetuosos, portanto, comam em primeiro lugar a novidade que seja servida nos ambientes onde eles vivem. Caso não morram em um prazo que sua pilantragem conhece, eles, então, comerão.
Lembram os homens, quer ver? Revisite-se a história. Na Antiguidade e na Idade Média, por exemplo, havia os provadores das comidas dos nobres, para evitar que eles fossem envenenados.
Indo adiante, veja-se o caso das prisões contemporâneas, em que os bandidos mais temidos nas celas, quando querem sanar suas desavenças sacrificando outros presos, ordenam que um dos encarcerados, normalmente o mais novo ou mais tímido, faça o serviço, cravando o punhal no desafeto do déspota do cárcere.
Mas o que há de comum entre os ratos e os homens? – você pode perguntar. É que estes muitas vezes fazem o papel daqueles, com o agravante da sabujice.
Ora, que razão faria a repugnante PEC 33 ser iniciativa de um deputado tão inexpressivo, tão insignificante mesmo no baixo clero de que é parte?
A deplorável verdade é que, com projeto tão ignóbil, os que querem roer a liberdade lutam para, como é comum aos murídeos, criar atalhos como a limitação dos poderes do Supremo Tribunal Federal.
No livro “Ratos e homens”, que dá título a esta conversa, John Steinbeck faz uma comparação com o poema de Robert Burns, dizendo: "São vãos os sonhos de ratos e homens" Talvez o poeta escocês tenha razão mas, já que se falou em sonhos, o que se deseja é que ratos fiquem com seus piores pesadelos e que os homens de bem continuem a lutar por um Brasil melhor. É preciso, contudo, lutar com toda a energia, porque, afinal, ratos lutam para dominar um espaço e também as fontes de comida. Não aceitam estranhos. E muito menos a lei.

sábado, 27 de abril de 2013



Do mungunzá salgado ao fondue

Quem nasceu nas bandas do litoral assusta-se ao conhecer o mungunzá (ou munguzá) servido em Triunfo. Ele, em lugar de doce, é salgado. Tem milho e outros ingredientes: feijão de corda ou mulatinho; carne de boi, charque, mocotó e toucinho de porco. É, na interpretação, de Teca Diniz, do Café do Brejo, uma “feijoada com milho”.


Bode guisado, carneiro com ervas finas, carne de sol com macaxeira, baião de dois, feijão guandu, arroz vermelho, cachaça artesanal, licor de rosas, geléia de corte, doce de laranja, rapadura, alfenim, frutas in natura e fondue de queijo, carne e bode. Essa mesa, diversificada e ao mesmo tempo exótica, faz parte do dia-a-dia dos hotéis e restaurantes de Triunfo.

Se a noite estiver fria, com os termômetros entre 12 e 18 graus, vale a pena tomar um chocolate quente junto a uma lareira ou comer um fondue, acompanhado de um vinho do São Francisco ou de um licor de rosas. Caso você vá a Triunfo no período do calor, a temperatura na serra é bem inferior à do sertão em redor. E para refrescar, um banho de cachoeira ou um mergulho no parque aquático.


 Quem gosta de fotografar, tem na cidade tudo para fazer uma bela foto: casario do início do século passado, arruados, dois museus, igreja matriz, via sacra, convento, roseiras do Stella Maris, portal do acesso oeste à cidade, açude, Cine-Teatro Guarany, Casa das Almas, Engenho São Pedro, Águas Parque e a vista do Alto do Cruzeiro. É só clicar e ter a certeza de voltar a Triunfo.

Como o texto foi escrito em 24 de maio de 2006, não há referência ao teleférico, ligando o Centro de Lazer e Turismo do SESC, no Alto do Cruzeiro, ao antigo terminal rodoviário, junto ao Açude.


quinta-feira, 25 de abril de 2013


Os trunfos de Triunfo


Ainda criança, fui levado pela primeira vez a Triunfo por minha madrinha, Narcisa de Freitas, uma preta que foi minha segunda mãe. Ficou no meu subconsciente apenas a poeira da maior parte da estrada, pois àquela época, em meados da década de 50, a rodovia asfaltada só chegava a Caruaru. Era uma verdadeira aventura viajar pelo semi-árido pernambucano.


Anos depois, já rapazote, passava minhas férias escolares de julho e dezembro em Triunfo, em companhia dos meus primos – Teca, Tonho, Glorinha, Inês, Lúcia, João e Lucimary. Era uma festa na casa dos tios Kelé e Marieta. Ia, algumas vezes, com minha mãe Ernestina, uma triunfense legítima. A viagem sempre era de trem. Ou descíamos em Arcoverde ou ficávamos em Flores, onde pegávamos uma sopa (pequeno ônibus) para Triunfo. Era a sopa de seu Cesário.

Mais de uma década depois, fui uma dúzia de vezes a Triunfo. Fazia parte do gabinete do então governador Nilo Coelho. Normalmente, chegávamos em Triunfo à noite, após percorrer, o dia todo, açudes, estradas, estações do Detelpe, agências do Bandepe e uma série de obras em execução no Interior do Estado. Quando estávamos no Sertão, dormíamos no Lar Santa Elizabeth, em Triunfo, cidade que, em nada, se assemelhava àquela que me acostumara a vivenciar nas férias. À noite, parecia um deserto. Alguns jovens na praça entre o açude e o Cine Teatro Guarany. Nada mais. Não havia televisão. Dormia-se cedo.
         Numa das viagens, pedi ao governador que, mesmo nos últimos meses de seu mandato, mandasse, pelo menos, colocar água encanada na cidade. O outro pedido, sem tempo para ser executado, era o de transformar Triunfo num centro universitário, como uma forma de interiorizar o ensino superior em Pernambuco.

No começo da década de 70, era editor do Interior do Diário de Pernambuco, dividindo a responsabilidade da editoria com a triunfense Wanessa Campos. E sempre levantávamos, em matérias e na coluna, a necessidade de o Poder Público incentivar as vocações do município, como turismo, cafeicultura, produção de cachaça e rapadura e industrialização da goiaba, pois, a cada dia, Triunfo dependia mais de Serra Talhada, perdendo autonomia econômica. Os anos se passaram e nas vezes em que estive, com minha ex-mulher e meu filho, na Serra da Baixa Verde para visitar meu primo João Diniz encontrava a cidade com aspecto de abandono.

Em meados de 1991, eu e minha mulher Giselda estivemos em Triunfo a caminho de Santa Maria da Boa Vista, onde iríamos fazer uma reportagem, na Fazenda Milano, com José Gualberto de Freitas Almeida sobre a nova fronteira agrícola que se abria em Pernambuco, com a implantação, pela iniciativa privada, da primeira fazenda no semi-árido no Mundo a produzir vinho. Hospedamo-nos na ainda em construção Pousada da Baixa Verde. Começava a se desenhar, com esse empreendimento do casal Pedro Junior/Terezinha, uma nova época para Triunfo.
        
Por uma série de fatores, só voltei a Triunfo no Carnaval de 1998, época em que se preparava a equipe da atual Folha de Pernambuco. Formei uma caravana: meu irmão Fernando e sua mulher Ceça; o atual diretor adjunto de redação do Jornal do Commercio, Laurindo Ferreira; sua mulher, a jornalista Nádia Ferreira, e seu irmão, o professor Serafim Ferreira. Ficamos no Lar Santa Elizabeth. A cidade começava a atrair pessoas ávidas por um oásis. Longe da poluição, distante da insegurança. Junto da tranqüilidade.
         
Minha prima Teca e seu marido Bel estavam em Triunfo, decididos a investir na Serra da Baixa Verde. Começavam a restaurar a casa em pedra da Chácara Kelé. Era o primeiro passo para a construção do Café do Brejo. Triunfo respirava, enfim, o ar de cidade turística. Desabrochava, sem apoio oficial, a vocação natural do município. Os empreendimentos de Pedro Júnior e de Terezinha funcionaram como chamariz para os novos investimentos, forçando o Governo do Estado a asfaltar o acesso leste da cidade e a restaurar o Cine Teatro Guarany.


A cidade ganhou o Águas Parque, um parque aquático construído também por Pedro Junior. Não satisfeito com o que tinha feito, o empresário implantou o Engenho São Pedro e criou a cachaça artesanal Triumph. Surgiram outros hotéis, como o Otellin Triumph. As manifestações folclóricas, como os Caretas, passaram a despertar o interesse da mídia recifense. Até o Hotel do Sesc voltou a ser notícia, com a decisão de Josias Albuquerque de recomeçar as obras do centro de lazer, paralisadas há muitos anos.
         
A luta da direção do Sesc para reinício dos serviços foi árdua. Três concorrências foram abertas, mas os perdedores impugnavam o resultado. Numa conversa informal, Josias Albuquerque confidenciou-me que a inauguração do Sesc de Triunfo era uma questão de honra para ele. Depois de idas e vindas, os trabalhos foram retomados. Por conta do crescimento do turismo em Triunfo, Josias Albuquerque resolveu transformar o projeto inicial de uma colônia de férias num Centro Integrado de Turismo, com centro de convenções, teleférico e piscina coberta.
         
No São João deste ano, eu e Giselda estivemos em Triunfo. Fomos com o casal Luiz/Neise Montenegro e os filhos Henrique e Luiza. Lá encontramos o casal Francisco Cartaxo/Célia Galvão e a filha Maria Eduarda. Foi uma festa. No roteiro das visitas, estivemos na Casa das Almas, residência do juiz de Direito Assis Timóteo e que se transformou em atração turística por ter seus cômodos na Paraíba e em Pernambuco.
                
Visitantes deslumbrados e decididos a voltar, mas preocupados com o estado de conservação de longos trechos da BR-232. Passados três meses, a rodovia entre Cruzeiro do Nordeste e Sítio dos Nunes recebe camada de asfalto. Se não houver empecilhos burocráticos, o tempo de percurso deverá diminuir de seis para cinco horas, para quem não voa, e de cinco para quatro horas e meia para quem pisa fundo no acelerador. Só resta o trecho a ser duplicado entre Caruaru e São Caetano. Sua conclusão tornará a viagem a Triunfo um passeio prolongado, mas compensado com a beleza e a tranqüilidade da Serra da Baixa Verde.

* Este texto foi escrito no dia 16 de setembro de 2004. Estou o reproduzindo para ressaltar o crescimento de Triunfo no setor de turismo.

quarta-feira, 24 de abril de 2013




COMO VOCÊ QUER VER A INFLAÇÃO?

Duas abordagens sobre a inflação mostram como o brasileiro, dependendo do que lê, escuta e vê, recebem as informações das mídias – tradicionais e eletrônicas, incluindo as mídias sociais. Se você é leitor do jornal O Estado de São Paulo, inclusive na edição online, terá uma visão da realidade nacional. Caso você se satisfaça apenas com as informações da Rede Globo, seu grau de conhecimento do Pais será outro.

Comecemos pela análise de uma matéria veiculada hoje no Jornal Nacional.

Em meados da década de 80 do século passado, partidos de esquerda defendiam a tese de que a Rede Globo fazia de bobo o brasileiro. Ainda hoje, em algumas manifestações políticas e em partidas de futebol envolvendo times fora do eixo Sul/Sudeste vêem-se placas ou faixas com os dizeres “A Globo faz você de bobo”.

Mas, nesses 30 anos, muita coisa mudou e a Globo já não é vista sob esse prisma. A “Vênus Platinada” – slogan fora de moda – doura a pílula ao abordar temas diretamente relacionados ao Governo Federal. A mais nova campanha da emissora é defender a tese de que não existe inflação no Brasil, mas aumento de alguns itens por conta da elevação da renda do brasileiro.

Hoje, mesmo, no JN, a emissora carregou nas tintas, perdão, não poupou palavras para dizer que “brasileiros com renda mais baixa estão gastando mais com serviços. Nessa conta, entram gastos com salão de beleza, escola, curso de idiomas, planos de saúde e passagens aéreas”. E diz o JN: “famílias brasileiras, que vivem com menos de R$ 1,7 mi por mês estão mudando a forma de gastar dinheiro”.


 Como arremate, o Jornal Nacional deixa clara a defesa do Governo. Vejamos o final da reportagem.

“E essa mudança aparece na medida da inflação. O peso da alimentação no último índice divulgado pela FGV é de 20%. Já os chamados serviços administrados, como energia elétrica e telefonia correspondem a 22%. Refeições fora de casa, aluguéis, educação, lazer, por exemplo, já consomem 25% do orçamento dessas famílias.

Essa é a parcela da população que tem tido aumentos salariais de maior amplitude nos últimos anos. Quanto mais você vai tendo disponibilidade de rendimento e de acesso ao crédito pelo consumo, a tendência é diversificar”, avalia Salomão Quadros, economista do IBRE/FGV.

Depois da visão da Rede Globo, vejamos um trecho de um texto, da Agência Estado, pertencente ao Grupo de O Estado de São Paulo, e publicado no domingo pelo Estado de Minas.

Endividada, classe B reduz participação no consumo - Inflação em alta e endividamento elevado vão tirar neste ano o fôlego das compras da classe B, o estrato social mais importante no consumo das famílias do País. A participação de domicílios com renda média mensal entre R$ 3,7 mil e R$ 7,4 mil no bolo total dos gastos com produtos e serviços de R$ 2,8 trilhões projetado para este ano deve ser de 48,5%, aponta estudo da IPC Marketing, consultoria especializada em avaliar o potencial de consumo. Em 2012, essa fatia havia sido de 50%.



Além de perder participação no total de compras nos 5 mil municípios do País, a classe B será praticamente o único estrato social que vai ter uma expansão de gastos com compras abaixo da média da população brasileira. O consumo total deve crescer neste ano 9,9% em relação ao de 2012. Já o da classe B deve subir 6,6%, sem descontar a inflação.

O estudo foi feito com base em um modelo desenvolvido pela consultoria que leva em conta números dos censos e pesquisas do IBGE e fontes secundárias. O pano de fundo é a alta de 3% do PIB e inflação de 5,7%.


A Propósito | Marcelo Alcoforado




Milnistérios
do Brasil

Você sabe quem é o ministro das Cidades? E o da Agricultura, ou o dos Transportes, ou o das Políticas para as Mulheres, ou ainda o dos Portos? Sabe quem é o ministro dos Assuntos Estratégicos ou o do Desenvolvimento Agrário?
Desculpe a insistência em fazer perguntas, mas você sabe quem são Aguinaldo Ribeiro, Antônio Andrade, César Borges, Eleonora Menicucci, Leônidas Cristino, Marcelo Nery e Pepe Vargas?

São exatamente os ministros das pastas mencionadas no primeiro parágrafo, e é provável que você jamais tenha ouvido referências à maioria deles. Acontece que o Brasil tem nada menos do que 39 ministérios, sendo superado apenas pelo Congo. Nos demais países espalhados pelo mundo, os de melhor desempenho possuem, no máximo, 22 ministros. É claro que, a par da inoperância, é exercida uma pressão a mais nas nossas combalidas finanças, já tão comprometidas com uma das maiores cargas tributárias do mundo.

Mas o que se pode fazer? – é possível que você esteja perguntando, e a resposta, infelizmente é, como se diz, curta e grossa: nada!

Contra o desejo dos que pagamos impostos e queremos um país mais racional, há a proximidade das eleições, o que torna imprescindível nomear aliados políticos, os provedores dos votos que asseguram o poder por mais quatro anos. Agora mesmo, está em gestação o Ministério das Microempresas, o que deixa margem para a criação, conforme as imposições eleitoralistas, de outros dois: o das Midiempresas e o das Macroempresas, por exemplo.

É temível, fica patente, que, crescendo o número de aliados, ministérios surgirão à farta, recomendando-se, pois, desde já, a criação de suficientes nomes para eles que, em decorrência do número exagerado, poderão ser denominados de milnistérios.


A propósito, nos anos 1950 e 1960 Millôr, sob o pseudônimo de Vão Gôgo, assinou na revista O Cruzeiro uma coluna chamada Ministério das Perguntas Cretinas.

Ora, o governo, que sempre tem resposta para tudo, mesmo quando em franca oposição ao bom senso, bem que poderia criar os milnistérios das Respostas Cretinas, dos Despautérios, dos Vitupérios, dos Deletérios...

sexta-feira, 19 de abril de 2013


OS TONS DO VERDE NO
RECIFE E EM NEW YORK


 Com 6,9 hectares, o Parque 13 de Maio, na área central do Recife, é um parquinho comparado com o Central Park, um dos parques mais famosos do mundo com 341 hectares. Em outras palavras, o parque novaiorquino, considerado “um oásis no meio da grande floresta de arranha-céus”, representa quase 50 vezes o tamanho do recifense 13 de Maio.


O Central Park foi inaugurado em 1857. Um ano depois, o escritor e paisagista Frederick Law Olmsted e o arquiteto inglês Calvert Vaux venceram o concurso de design "Greensward Plan" para melhoria e expansão do parque. A construção começou naquele mesmo ano e continuou, durante a Guerra Civil Americana, até sua conclusão em 1873.


 O primeiro projeto paisagístico do Parque 13 de Maio, em 1860, foi do engenheiro inglês William Martineau. Quinze anos depois, o engenheiro francês Emile Beringuer elaborou outro projeto. Mas somente no Governo Barbosa Lima Sobrinho (1892-1896), portanto mais de 15 anos depois do segundo projeto, teve início a construção do parque, inaugurado já no século seguinte, precisamente em 30 de agosto de 1939, para abrigar o III Congresso Eucarístico Nacional.

O Central Park é muito mais que um parque cercado de edifícios por todos os lados. O parque novaiorquino é um exemplo de como uma comunidade preserva um “ativo ecológico” desde o século XIX, quando ainda não existia o conceito de ecologicamente correto.

Os recifenses devem se espelhar no exemplo de uma das metrópoles mais cosmopolitas do mundo para lutar por novas áreas verdes, como o manguezal do Pina e o espaço onde se situa o Complexo de Salgadinho, terreno dividido com o município de Olinda.

A conscientização não deve se limitar ao recifense, como um todo. A responsabilidade ecológica deve ser compartilhada pelo Poder Público e pelos empresários. E como exemplo dessa parceria é a organização, sem fins lucrativos, Central Park Conservancy, que funciona sob contrato com a prefeitura da cidade. O Central Park Conservancy contribui com 83,5% da verba anual do parque (que totalizam 37,5 milhões de dólares por ano) e emprega 80,7% da equipe de manutenção do parque.



CASUÍSMO LEMBRA NAZISMO

Estou no jornalismo desde 1966, ainda como estudante na Universidade Católica de Pernambuco. Como editor do Interior do Diário de Pernambuco, passei pelo desprazer de ter matérias vetadas por um estudante de Medicina, vizinho de apartamento num prédio no bairro da Torre, no Recife. Ele chegava na hora de fechamento da Primeira Página para vetar matérias.

Vi, anos depois, já no Curso de Economia da Universidade Federal de Pernambuco, um aluno como dublê de integrante das chamadas “forças de segurança” tomando um susto ao se deparar comigo na redação do Diário de Pernambuco. Depois disso, nunca mais foi visto nas aulas de Economia. Deixou de ir à redação do Diário.


 Isso me vem à memória ao constatar que a palavra “casuísmo” volta, sob outro nome, a ocupar espaços na mídia nacional. Durante a ditadura, era ela utilizada pela oposição, da qual fiz parte ativa como filiado do MDB de Pernambuco, para designar as medidas criadas pelos generais-presidentes para reduzir, cada vez mais, os espaços oposicionistas.

Ao ler hoje, logo cedo, o contundente comentário de Josué Nogueira, no Diario de Pernambuco, o “casuísmo” voltou a povoar minhas lembranças. O colunista analisa as articulações do PT para inibir a criação ou junção de partidos de apoio aos candidatos oposicionistas nas eleições presidenciais.

Separei dois trechos da coluna para sedimentar a preocupação de quem viveu em época de ditadura.

A questão torna-se mais acintosa porque o partido – leia-se governo federal – é um dos protagonistas da manobra que rasga a regra eleitoral vigente ao impedir que novas legendas tenham direito ao tempo de TV e ao fundo partidário...Na madrugada da quinta-feira, um discurso do deputado Raul Henry (PMDB-PE) no plenário jogou luz sobre o casuísmo e deu o tom de indignação de parte da Câmara. Ele disse jamais ter visto violência tão grande contra os valores democráticos, “violência que procura exterminar o adversário”.

E, após ter ouvido de um deputado do PT que na democracia o que vale é a força da maioria contra a minoria, foi certeiro nos argumentos para rebater o desvario. “Se esse conceito fosse verdadeiro, seriam consideradas democracias dois regimes que vivem no lixo e na sarjeta da História: o fascismo de Mussolini e o nazismo de Hitler, em que a maioria se sobrepunha à minoria”.


Josué conclui com duas palavras, “Sem mais’, as quais traduzem um sentimento expresso por George Orwell na obra “1984”. Seu personagem Winston vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado...De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O'Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro".

O’Brien certamente não conhecia o mensalão.

quinta-feira, 18 de abril de 2013






TRÊS NOTÍCIAS, UMA REALIDADE

Três notícias mostram que a economia brasileira começa a pisar no freio. Se formos seguir o mantra do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, “de que precisamos ganhar 2003 para pensarmos em 2004”, três notícias reforçam o temor do candidato do PSB à Presidência da República: a economia brasileira começa a pisar no freio.



1) - No portal Investimentos e Notícias, matéria postada hoje destaca o crescimento do endividamento das famílias em abril, ao citar a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Mais de 60%, precisamente 62,9% das famílias, declararam ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro. Em março, esse patamar estava em 61,2%. Também houve alta na comparação anual: em abril de 2012, 56,8% haviam declarado ter tais dívidas.

Apesar da tendência de alta do número de famílias endividadas, a percepção das famílias em relação às dívidas e à capacidade de pagamento está em patamar favorável...

...Entre as famílias com contas em atraso, o percentual passou de 19,5%, em março, para 21,5% em abril. Já o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas apresentou trajetória semelhante, alcançando 6,7% em abril de 2013, ante 6,3% em março de 2013 e 6,9% em abril de 2012.

2) – A colunista Mônica Bergamo, da BandNews FM, faz um alerta: “Nesse cenário de discussão da taxa Selic, um importante indicador da atividade econômica mostrou, pela primeira vez em alguns anos, uma queda mais acentuada: a venda do cimento, que caiu quase 8% em relação ao ano passado”.

“Essa projeção mostra que a construção civil colocou um pouco o pé no freio. Só a região Norte conseguiu apresentar crescimento de 7%, contra uma queda de 10% no Sul e no Sudeste, que são os maiores mercados”, diz.

A exportação do cimento também caiu bastante: 53%. “Mas como ela sempre foi muito pequena, com o Brasil exportando muito pouco, ela não chega a causar tanto impacto nos números gerais”, completa a colunista.

3) – O portal O POVO Online, do Ceará, reporta um ato de protesto de trabalhadores da construção civil na noite desta quinta-feira, 18, na Praça Portugal, no bairro Aldeota, em Fortaleza.

Os trabalhadores não concordaram com a proposta do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), feita por intermédio da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE). 

O Sinduscon informou que as empresas da construção civil haviam chegado à proposta de reajuste no piso de 7,5% e de 10% no auxilio alimentação, valor superior à inflação, uma vez que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve variação de 6,77% no período de março de 2012 a fevereiro de 2013.

O detalhe da notícia está no valor do reajuste, índice que começa a povoar as propostas dos trabalhadores e a causar espanto aos consumidores em suas compras.



Os golpistas voltam a atacar

Marcelo Alcoforado


Foram tantas as juras de amor imorredouro da presidente da República a uma imprensa livre, que tudo parecia serenado. Parecia. O idílico cenário se turvou quando o PIG voltou a agir. Domingo passado, o superconservador O Estado de São Paulo, que, segundo os governistas, sempre teve o intuito de prejudicar os movimentos populares e especialmente o governo do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, voltou a golpear.
Sabe o que ele fez? Revelou que Edson Aparecido, o chefe da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin, é suspeito de fraudes em licitações ocorridas em nada menos do que 78 prefeituras do interior paulista. Segundo investigações da Polícia Federal, ele teria estreitos nós com Olívio Scamatti, dono de empreiteira, suspeito de chefiar o esquema.
Edson Aparecido não é alvo direito da investigação em andamento, diga-se, mas o fato é que apareceu nos grampos da operação por manter contato telefônico com o empresário e com um seu auxiliar. Para complicar ainda mais, a empresa foi doadora da campanha de 2006 do agora chefe da Casa Civil, beneficiando-o com dois repasses, um de R$ 42,4 mil e outro de R$ 49,2 mil.
Edson Aparecido admite os contatos com o empreiteiro apontado como o capo di tutti capi da máfia de fraudes em licitações, mas ressalva que as doações para a campanha foram registradas e que jamais solicitou nada que indicasse qualquer irregularidade.
O que causa mais estranheza, contudo, é que desta vez ninguém reagiu a mais essa manobra do famigerado PIG, tacha que o governo petista atribuiu a órgãos e profissionais de imprensa que supostamente buscavam desestabilizar governos de orientação política contrária.
O próprio presidente Luiz Inácio da Silva, aliás, respaldava a acusação, afirmando, em mais uma das brilhantes frases: "Quem faz oposição nesse país é determinado tipo de imprensa. Ah, como inventam coisa contra o Lula. Se eu dependesse deles para ter 80% de aprovação, teria zero".
A propósito, será que, quando ataca o governo petista é PIG – Partido da Imprensa Golpista, mas quando o alvo é a oposição se torna PIV – Partido da Imprensa Virtuosa?

O publicitário Marcelo Alcoforado redige, semanalmente, a crônica A Propósito, publicada em veículos do Recife.





ministério público de pernambuco mostra cartão amarelo

Postamos, ontem (17 de abril), texto sobre as omissões na abordagem da Imprensa e a indefinição das autoridades no caso do torcedor do Náutico, atingido, na noite de 16 de fevereiro, com um tiro na cabeça.

Mas uma luz surgiu. Ou melhor, o Ministério Público de Pernambuco deu cartão amarelo aos envolvidos no incidente. O MPPE está atento ao fato: continua trabalhando no caso Lucas Lyra, atingido antes da partida dos alvirrubros, contra a equipe do Central, pelo Campeonato Pernambucano.

Além de José Carlos Feitosa Barreto, que foi denunciado como autor do disparo, o MPPE denunciou também o diretor da empresa Pedrosa, Antero Parahyba, o sócio Lourival Bandeira de Melo, e o borracheiro da empresa, Edemir Marcolino da Silva.

"Os denunciados contratavam pessoas sem critério ou preocupação de qualquer ordem para trabalhar como 'pseudo-seguranças', em contato com o público nas grandes aglomerações e em situações de estresse. Aconteceu com o Lucas, mas poderia ter sido com qualquer um", explica a promotora de Justiça Helena Martins.

A denúncia acusa, inclusive o José Carlos, por homicídio qualificado, com o agravante da pena ser aumentada de 1/3 até a metade, quando o crime é praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.

Texto extraído de matéria publicada pelo Blog do Torcedor, editado pelo jornalista Marcelo Cavalcante.

quarta-feira, 17 de abril de 2013




Aumento da Selic não deve conter a inflação

 A elevação da taxa básica de juros da economia (Selic), em 0,25 ponto percentual aumentando a taxa para 7,5% ao ano, definida hoje (17) pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), não será suficiente para conter a inflação, que já superou o teto da meta e atingiu 6,59% nos 12 meses findos em março, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A avaliação é do economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV). Ele lembrou que a alta da taxa Selic era esperada pelo mercado e que a tendência de expansão foi reforçada esta semana pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante evento, no Rio de Janeiro.

“...as novas safras reduzirão o efeito
inflacionário provocado pelos alimentos...”
 O economista destacou, contudo, que a elevação ficou aquém do esperado pelo mercado, “mostrando que o governo está tendo bastante cuidado com o aumento da Selic, no momento em que a inflação já saiu do topo da meta”. Ele acredita que virão outros aumentos mais adiante. “A dúvida é a dosagem do aumento, se o ritmo vai continuar em 0,25 ponto percentual ou se vai aumentar o ritmo. Mas, 0,25 ponto percentual é muito pouco para segurar a inflação”, disse.
Por outro lado, Fernando Holanda disse que o BC está consciente que o cenário eleitoral do ano que vem pode se complicar com o aumento da taxa de juros, uma vez que foi o próprio órgão que baixou os juros no país. “Mas, certamente, esse 0,25 ponto percentual não resolve de forma alguma o problema da inflação no Brasil”, ressaltou.
Segundo o economista do Ibre-FGV, as novas safras reduzirão o efeito inflacionário provocado pelos alimentos, mas o mercado de trabalho continua pressionando a inflação. “E o aumento da Selic não dá nem para o começo”. Com informações da Agência Brasil.
Texto extraído do portal Investimentos e Notícias



Um tiro destrói a juventude

Há dois meses e dois dias, o torcedor Lucas Lyra, do Clube Náutico Capibaribe, levou um tiro do segurança de um ônibus que trafegava pela Avenida Conselheiro Rosa e Silva, onde se situa a sede do alvirrubro pernambucano. Fato como esse nunca foi registrado na frente da sede do Sport. Por um motivo muito simples: as torcidas adversárias só têm acesso à Ilha pela Avenida Prefeito Lima Castro. Elas não passam diante da sede rubro-negra.

Então, por que a CTTU e a PM não adotaram, no dia 16 de fevereiro, o procedimento utilizado em partidas anteriores do Náutico (restringindo o trânsito no trecho entre a Rua Conselheiro Portela e a Avenida Santos Dumont), uma vez que a torcida, ao criar a “Avenida Alvirrubra”, tornava lento o trânsito?

Por que dois ônibus (da mesma empresa com o mesmo itinerário), repletos de torcedores do Sport tiveram permissão para utilizar a Avenida Rosa e Silva, onde se situa a sede do Náutico?

Somente dona Cristina Lyra, mãe do jovem atingido pelo tiro, mostrou o reverso do incidente: “É um absurdo a Federação Pernambucana de Futebol marcar um jogo do Sport e outro do Náutico com uma hora de diferença sabendo da rivalidade das torcidas. O ônibus nunca poderia ter passado na frente da sede do Náutico. Outro culpado é o dono da empresa de ônibus. Como se contrata uma pessoa despreparada e sem porte de arma para ser segurança? Como uma pessoa dessa pode trabalhar como segurança com uma arma em punho?”.

Não vi, nem li, até agora, qualquer texto sob esse enfoque. Qual matéria levantou algum caso envolvendo torcedores dos times rivais do Sport passando em frente à sede do rubro-negro num dia de clássico?

A deixa de dona Cristina Lyra ficou no esquecimento: “quem autorizou o ônibus a passar pela Avenida Rosa e Silva quando havia um caminho mais livre (Estrada dos Remédios, Visconde Albuquerque e José Bonifácio) da Ilha do Retiro à Zona Norte, para onde iam os torcedores do Sport?

Nenhum dos passageiros do ônibus com a Torcida Jovem, a do Sport, foi entrevistado. De quem o motorista recebeu a ordem para passar pela Rosa e Silva que, em dia de jogo do Náutico, se transforma na Avenida Alvirrubra?

As perguntas continuam sem resposta. O jovem Lucas, que estava diante da sede do Náutico para recepcionar os jogadores, depende dos outros para sobreviver. Um tiro destrói a juventude.





domingo, 14 de abril de 2013


Do insosso chuchu


ao vitaminado tomate




À época do militar-presidente Ernesto Geisel, o ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, atribuiu ao chuchu o aumento dos preços. Era março de 1977. Agora, exatos 36 anos depois, o Governo do PT recorre a artifício idêntico ao usado pela ditadura militar para tentar atribuir o aumento de preços a um alimento, o tomate, que não se sabe se é fruta ou legume.

O tomate, um alimento recomendado por nutricionistas por conter componentes importantes para o metabolismo, é um herói para o corpo humano, mas começa a ser desqualificado pelo Governo, ao se transformar num vilão da economia ao engordar a inflação.

O aumento gradual dos preços vinha sendo artificialmente controlado, pelo Governo, ao represar os reajustes dos combustíveis pela Petrobrás, ao conter a elevação das tarifas dos transportes coletivos em São Paulo, ao isentar de IPI as compras de veículos e ao desonerar a cesta básica. O descontrole dos preços foi reconhecido pela própria presidente Dilma, ao considerar, em Durban, África do Sul, no dia 27 de março, “uma política superada adotar medidas que reduzam o crescimento econômico para forçar uma queda de preços”.

Horas depois, ante a repercussão de suas palavras, principalmente no mercado financeiro, a presidente atribuiu à Imprensa e a alguns setores econômicos uma interpretação errônea de sua declaração. Dias depois, o tomate foi o responsável pela escorregada da presidente.

A presidente desencadeava o efeito psicológico da inflação, o efeito dominó. Esse componente, coincidentemente reconhecido por Delfim Neto, um ex-ministro do período militar, fez o “dragão” lançar chamas pelas ventas. Os bolsos dos assalariados e dos aposentados começam a pegar fogo. Entidades do varejo temem queda nas vendas com a redução do poder de compra de quem ganha até cinco salários mínimos. O consumismo das novas classes D e E, tão decantado nos últimos 10 anos, não pode comprar tomate, o vilão da inflação.

As emissoras de TV, principalmente a Rede Globo, disseminam a ideia de que o tomate, pelo preço no mercado, necessita de escolta armada para não ser roubado nas fazendas. Pela força dos meios de comunicação e das mídias sociais, o tomate botou o chuchu no bolso. O insosso há muito foi engolido pelo dragão.










segunda-feira, 1 de abril de 2013



Dom Hélder: espelho do Papa Francisco




No dia 7 de julho de 1980, portanto há quase 33 anos, o papa João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil, reconhecia, na missa campal no viaduto Joana Bezerra, no Recife, perante quase dois milhões de pessoas, a importância de Dom Hélder Câmara junto às camadas pobres da população, ao afirmar “Dom Hélder, irmão dos pobres, meu irmão”.

Com a eleição do Papa Francisco, a luta de Dom Hélder renasce, ressurge das cinzas. O Vaticano despojou-se de anéis de ouro, adotou o branco como cor das vestimentas papais. Nada de adornos dourados.

O texto do jornalista Fábio Belisário, do portal Sucesso News, deixa patente as mudanças na Santa Sé: “Em sua aparição no balcão da praça São Pedro, Jorge Bergoglio exibiu um estilo austero, com o branco na batina, na esclavina (pequena capa usada sobre a túnica) e no solidéu (gorro de seda) como cor predominante...Em outra amostra da mudança de estilo, Francisco apareceu no balcão sem estola para dirigir-se aos fiéis e somente colocou-a durante a breve bênção ‘Urbi et Orbi’. Logo depois quis ele mesmo tirá-la, e rapidamente um sacerdote veio correndo para ajudar”.

Como característica de sua formação franciscana, o Papa usa, como parte de sua indumentária, uma cruz de ferro, a mesma desde que foi proclamado bispo de Buenos Aires.

A exemplo de Dom Hélder, que não tinha carro da arquidiocese e andava, sempre, de carona e morava na área de uma pequena sacristia, na Igreja das Fronteiras, no Recife, o Papa Francisco utilizava o metrô em Buenos Aires e preparava suas refeições quando cardeal.

As ações pastorais de Dom Hélder, tanto no Rio de Janeiro, com o Banco da Providência, quanto no Recife, com sua luta contra a ditadura militar e na aproximação da Igreja com os pobres, estão sendo retomadas por Dom Fernando Saburido.

Mas o coroamento dessas lutas seria completo se o Papa Francisco visitasse o Recife, em sua viagem ao Brasil para o Encontro da Juventude, no Rio de Janeiro. Mostraria ao mundo todo, não só aos seguidores do Catolicismo, seu apoio ao trabalho pastoral de Dom Hélder e de Dom Fernando, semelhante ao feito pelo novo Papa na Argentina.

domingo, 31 de março de 2013


OS EFEITOS DO IPI REDUZIDO

 O Ministério da Fazenda confirmou neste sábado a prorrogação das atuais alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis e caminhões até 31 de dezembro de 2013. A medida representa uma renúncia fiscal adicional de R$ 2,2 bilhões de abril a dezembro de 2013. Apesar de o Governo argumentar que o objetivo da redução é manter o aquecimento da produção e controlar a inflação, o mercado tem dúvidas sobre o impacto da prorrogação. O Governo com essa medida, divulgada através de nota à Imprensa, “não só estimula o setor automotivo, um dos principais motores da economia, como toda a cadeia automobilística, como as indústrias de autopeças, de estofamento e de acessórios".

Mas, a desoneração prejudica os Estados que não contam com montadores de veículos (carros, utilitários, caminhões, máquinas agrícolas e motocicletas), pois a indústria automobilística concentra-se no Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais), no Sul (Rio Grande do Sul e Paraná) e no Centro-Oeste (Goiás). Fora desse eixo, somente a Bahia e o Ceará contam, cada um, com uma montadora. No Norte, o Amazonas polariza a produção de motocicletas e contabiliza, ainda, a produção de veículos da Effa.

DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS MONTADORAS


Estados
Montadoras
Montadoras
Montadoras
BA
Ford
-
-
CE
Ford/Troller
-
-
GO
CAOA
John Deere
Mitsubishi
MG (a)
CNH/New Holland
Fiat
Iveco
MG (b)
Mercedes


PR (a)
CNH/New Holland
Fiat
Nissan
PR (b)
Renault
VW
Volvo
RJ (a)
MAN
VWCO
PSA
RJ (b)
Peugeot/Citroen


RS (a)
AGCO
Massey/Ferguson (2)
Agrale
RS (b)
GM
International
John Deere
SP (a)
Caterpillar
CNH/New Holland
Ford (2)
SP (b)
GM (2)
Honda
Hyundai
SP (c)
*Karmann-Ghia
Komatsu
Mercedes
SP (d)
Scania
Toyota (3)
Valtra
SP (e)
VW (3)


* Karmann-Ghia A fábrica no ABC paulista alegava,
em setembro de 2012, não produzir nenhum tipo de veículo

Estado
Montadoras
Montadoras
Montadoras
AM (a)
BMW (Dafra)
Bramont (Mahindra)
Dafra
AM (b)
**Effa
Harley-Davidson
Honda
AM (c)
***Haobao
Kasinski
Traxx
AM (d)
Suzuki
Yamaha
Kawasaki
** Effa (não faz parte da Anfavea, mas alega possuir fábrica)

Em 20 de dezembro do ano passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmava: “Houve boa recuperação do mercado nos últimos seis meses do ano. As vendas virão com impulso para o próximo ano. As desonerações foram necessárias para reativar o consumo. Se o governo não tivesse reduzido os impostos, as vendas teriam sido 30% a 40% menores do que foram. No caso do setor automobilístico, as vendas se intensificaram a partir de julho e se mantiveram em níveis acima dos registrados no primeiro semestre”, ressaltou.

O ministro citava um estudo em que a perda de arrecadação do IPI dos veículos foi compensada pelo aumento de outros tributos ligados às vendas. As alíquotas reduzidas provocaram a perda de R$ 19,5 milhões diários em IPI. Em compensação, o governo federal passou a arrecadar R$ 11,8 milhões a mais do PIS e da Cofins por dia. Os Estados obtiveram R$ 11,1 milhões a mais de Imposto sobre ICMS e R$ 2,8 milhões diários de IPVA.

Mas as prefeituras, especialmente das regiões carentes de montadoras, registraram uma queda nas parcelas do Fundo de Participação dos Municípios (FPE). A Confederação Nacional dos Municípios estimou, à época, uma perda de R$ 1,5 bilhão para as prefeituras do País desde maio. Isso porque dentro dos repasses do FPM, estão uma fatia do IPI e do Imposto de Renda. Logo, desonerações destes tributos atingem em cheio as contas dos municípios.

“Os municípios têm uma cota constitucional de recursos e a União concedeu isenção com dinheiro das prefeituras. Assim, o pacto federativo está agredido. Recentemente, ministros do Supremo Tribunal Federal decidiram no sentido de que a concessão de benefícios fiscais por legislação infraconstitucional não pode implicar na diminuição do repasse de receitas tributárias constitucionalmente assegurado aos municípios. Tais decisões reverteram posições contrárias de Tribunais Regionais, animando os tributaristas na defesa dos municípios”, explicou o advogado Antônio Campos, irmão do governador de Pernambuco, Eduardo Campos.



A postura do Governo brasileiro pode ser resumida, numa linguagem coloquial, nos ditados “dar com uma mão e tirar com a outra” ou “cobrir um santo e descobrir o outro”. Com isso, mantém os empregos na indústria automobilística e, consequentemente, atrai a simpatia dos sindicatos operários. Mas, vai na contramão do ecologicamente correto e dos preceitos da mobilidade urbana, ao incentivar a aquisição de veículos particulares.

Para se ter uma idéia sobre o bolso do brasileiro, a dívida acumulada com o carro eleva o risco de inadimplência e compromete o consumo de outros produtos. Moral da história, prejudica segmentos do comércio varejista e Estados e prefeituras recebem menos recursos do governo federal, afetando, desta forma, investimentos públicos. Mais carros, menos recursos para dotar as cidades de vias que comportem mais veículos.